segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Matemática: uma amiga no dia a dia



Manhãzinha. Num repente
salto da cama, lampeiro.
Lavo a cara, como o pão.
Uma amiga está presente
nas pesagens do padeiro,
no fabrico do sabão.

Não me deixa. Vai comigo,
caminhando para a escola.
O comprimento da bota,
a  idade do amigo,
o tamanho da sacola,
tudo mede sem batota.

Vou comprar aquele jogo
que ando há muito a namorar
na loja do Ti João.
Essa amiga acorre logo
diz-me quanto vou pagar
e quanto troco me dão.   

Chego à escola. Estou na sala,
nesta mesa onde a tralha
se amontoa a cada passo.
E nenhum de nós se cala
se essa senhora falha
e não organiza o espaço.
















Se quero comunicar
com quem é d’outra paragem
e tem um falar diferente,
ela lá vem ajudar
porque usa uma linguagem
que é igual p’ra toda a gente.

Dentro da nossa cabeça
p'lo pensamento é bem vista
esta amiga que o defende.
Pois por estranho que pareça
ele é como um desportista:
quanto mais treina, mais rende.

Está no nosso dia a dia
mesmo sem a gente querer,
É prestável, é simpática,
à vida dá harmonia.
Quem poderia viver
sem a amiga Matemática?



António Crespo Moreira

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